Tendência Temática
As mudanças no perfil de produção e consumo de alimentos estão cada vez mais intensas e complexas. Empresas, governos e consumidores estão se tornando cada vez mais complexos e interdependentes, o que significa que é cada vez mais difícil saber quem efetivamente tem qual interesse.
Recentemente o Secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, anunciou uma nova proposta do Departamento de Agricultura (USDA) para facilitar a identificação de produtos “biológicos”. A idéia é usar uma regra de etiquetagem conhecida como BioPreferredSM. Mais informações sobre o projeto podem ser conseguidas no site oficial www.biopreferred.gov
Será considerado um produto biológico aquele que for composto exclusiva ou majoritariamente por ingredientes biológicos, ou seja, materiais animais, marinhos, florestais e vegetais renováveis. Os níveis de participação destes ingredientes ainda serão definidos pelo USDA.
A proposta ainda não foi aprovada pelo governo norte-americano, porém tudo indica que o será. Uma vez em ação, os produtores poderão requisitar a etiquetagem caso atendam a determinados critérios de produção. A idéia é que as etiquetas, que serão adotadas apenas pelos produtores que quiserem, facilitem a identificação de produtos biológicos por parte dos consumidores finais.
O interessante neste ponto é que o fortalecimento deste tipo de produção não vem apenas de uma resposta do aumento da procura por parte dos consumidores. É, na verdade, uma ação explícita do governo Obama.
Dentre outros interesses, está a tentativa de aumentar a segurança energética e a independência no fornecimento de alimentos ao promover o aumento do consumo de produtos produzidos nos Estados Unidos em detrimento de outros produtos.
Até o momento, o USDA já identificou mais de 15 mil produtos que poderão utilizar a etiqueta ao longo de aproximadamente 200 diferentes categorias de produção.
Sendo uma prioridade governamental, é esperado que o projeto não se resuma à simples etiquetagem. Provavelmente o governo norte-americano logo iniciará campanhas em prol deste tipo de consumo. A despeito de possíveis retornos para os consumidores, importa notar que o governo acabará por ser uma importante força nas decisões de consumo. Indo mais além, o governo poderá, em possíveis desdobramentos ainda não oficiais, optar por barreiras a produtos importados que não observem os padrões criados.
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