A Anemia ferropriva ainda hoje é um grande problema nutricional em todo mundo, mesmo nas áreas desenvolvidas. Vários esforços têm sido aplicados a fim de minimizar a prevalência da anemia, como por exemplo, o enriquecimento de ferro nas farinhas para produção de pão, porém poucos efeitos foram observados até o presente momento.
Isso porque nem todo ferro contido nos alimentos é disponível, ou seja, nem todo ferro é capaz de ser absorvido e utilizado pelas células de modo eficaz.
O ferro é um mineral presente na dieta sob a forma de ferro-heme (hemoglobina e mioglobina) presente em carnes e derivados e de ferro não heme, contido nos vegetais e também nas carnes. Existem diferenças importantes entre essas duas formas do mineral. O ferro heme é melhor absorvido que o ferro não heme, por ser absorvido pelo intestino como um complexo porfirínico intacto, cuja eficiência pode chegar a 25% comparada a 5% da absorção do ferro não heme.
A absorção intestinal do ferro heme é muito pouco afetada pela composição da dieta e pelas secreções gastrointestinais. Já o ferro não heme precisa estar sob a forma solúvel, no duodeno e jejuno superior para ser absorvido. Algumas substâncias como ácido ascórbico, alguns açúcares como sorbitol e frutose e aminoácidos contendo enxofre melhoram a absorção desse tipo de ferro.
Pelo seu melhor aproveitamento, o ferro heme é fundamental para combater e prevenir a anemia ferropriva, comum em crianças, gestantes sem acompanhamento adequado de pré-natal e mulheres em idade fértil.
Como em todas as carnes, na carne suína, estima-se que 40% do conteúdo total de ferro estão sob a forma heme, cuja absorção é mais eficiente. Além disso, alguns cortes suínos apresentam maior quantidade total de ferro em relação a aves e peixes.
Além do seu próprio conteúdo de ferro heme, os aminoácidos presentes na carne suína facilitam a absorção do ferro não heme. Um estudo randomizado cruzado conduzido na Dinamarca com 19 mulheres comparou 3 dietas com teor similar de vitamina C e de fitato: uma vegetariana e duas contendo 60g de carne suína uma de origem polonesa e outra de origem dinamarquesa durante 5 dias cada dieta. Todas as principais refeições foram marcadas por isótopo radioativo de ferro. Ao final do estudo, a absorção do ferro não heme na dieta com carne suína foi significativamente maior comparada a dieta vegetariana indicando a influência de fatores facilitadores na carne suína para absorção do ferro não heme.
Fonte: Trecho retirado da palestra da Dra. Isabella Pimentel e do Dr. Daniel Magnoni sobre a importância da carne suína na nutrição humana, apresentada no 1º Simpósio Qualidade da Carne Suína para Nutricionistas
Publicado por suino.com
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