O conceito de Extensão Rural nasceu em Minas Gerais, estado que é a cara do Brasil quando se fala em diversidade de produção, de clima e de cultura. A primeira estrutura veio com a Associação de Crédito e Assistência Rural (Acar), em 1948. Essa iniciativa resultou de recomendações do empresário norte-americano Nelson Rockefeller ao governo mineiro para criar uma instituição que atuasse em prol de melhorar as condições sociais e econômicas da vida no meio rural.

A Acar, entidade civil sem fins lucrativos, foi estruturada de acordo com o modelo norte-americano de difusão de inovações, que basicamente atribuía à extensão rural a missão de oferecer assistência técnica e financeira aos produtores rurais para que adotassem as inovações desenvolvidas em institutos de pesquisa agrícola.

Hoje são 853 municípios que se conectam do sudeste ao nordeste em todos os aspectos. A produção vai de representar 30% do leite do país, ser o maior produtor de café e ainda dominar a genética zebuína sendo referência mundial.  Nem vamos falar do queijo que todo mundo conhece, até os franceses já deram selo de ouro em concursos.  Isso tem uma base que se chama assistência técnica rural.

Faz toda a diferença. O valor bruto por produtor que não recebe assistência técnica é de R$ 360 por hectare ao ano. Com a presença do técnico, esse valor é quatro vezes maior. Diminuir a diferença entre a maior e a menor produtividade é uma tarefa que exige soluções técnicas com uma estrutura de assistência que não pode se dar ao luxo de ficar sem recursos.

Em 1975, houve a criação da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater). Mas, com crises sucessivas, a empresa junto com outras estatais que cuidavam da extensão rural, foi extinta em 1989. Muitos estados sucatearam a assistência técnica rural. Depois veio o Pronaf para socorrer a agricultura familiar com crédito e assistência.

O futuro agora passa pela criação da Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural). A proposta foi aprovada em 2011 pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados com as seguintes atribuições:

– Implementar a política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural;

– Coordenar, articular e gerenciar o Sistema Único de Assistência Técnica e Extensão Rural (SISBRATER)

– Elaborar, coordenar e gerenciar o Programa Nacional de Ater (PRONATER)

– Alocar os recursos do Fundo Nacional de Ater e outros operacionalizados pelo PRONATER

– Acompanhar a elaboração e execução dos programas estaduais de Ater

– Avaliar a eficiência, efetividade e os impactos dos serviços públicos de Ater.

Demorou para sair do papel pela situação política e econômica do país. A lei foi regulamentada em 2014, e só em 2017 foram feitas as primeiras parcerias.  Já era para mais de 4 milhões de produtores rurais estarem com uma assistência constante.

Agora vai. Nós conversamos com o deputado mineiro Zé Silva, que foi o principal articulador para viabilizar a Anater. A agência agora precisa de vontade política para receber mais recursos e cumprir esse papel fundamental para os produtores brasileiros.

Acompanhe a entrevista completa:

Marcelo Lara – colunista do suino.com